2010...

2010...

Quarta-feira

Não ao ato médico...

Quanto vale o paciente?

Não ao ato médico!


Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa



Em 21 de Outubro de 2009 a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 7703/06, conhecido como Ato Médico, que regulamenta a profissão da medicina subordinando aos médicos os demais setores da saúde. A lógica que orienta o Projeto, centrada na concepção de que cada profissão deve buscar sua “fatia no mercado”, é a de regulamentação pela reserva de atividades da medicina em relação às outras áreas da saúde. Buscando defender o que seria o “terreno da medicina” diante do conjunto dos profissionais do setor, o PL abandona o entendimento das práticas de saúde centradas na compreensão do paciente enquanto um sujeito, integral, e o substitui por uma compreensão fundamentalmente mercadológica.


Esse contexto formulado pelo Conselho Nacional de Medicina traz à tona a discussão do papel dos conselhos profissionais, pois ao mesmo tempo em que são órgãos privados que regulamentam a profissão – e não o setor público com os direitos trabalhistas conquistados historicamente pelos trabalhadores - realizam a divisão de mercado com garantia de reserva para segmentos específicos, nesse caso o dos médicos. Ao mesmo tempo, burocratiza- se esse setor: o médico terá ingerência sobre todos os outros tratamentos, tornando-se “mais importante” do que os demais profissionais da saúde.



Isso quer dizer que os princípios do Ato Médico tiram a autonomia dos demais atores da saúde, entrando em choque com os princípios de eqüidade, universalidade, integralidade e controle social do Sistema Único de Saúde (SUS), pelos quais todos os profissionais se complementam, e o paciente é tratado como uma pessoa e não por partes. O projeto fere, também, o princípio da descentralização, já que o médico centraliza os demais setores, inclusive o de gestão hospitalar.


Enquanto isso, as condições dos hospitais públicos e postos de saúde se encontram bastante precárias, com filas intermináveis, falta de medicamentos e materiais, falta de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e funcionários. Os princípios do SUS de acesso universal e igualitário a ações e serviços; participação comunitária; rede regionalizada e hierarquizada; descentralização e outros foram deixados de lado pela degradação exercida pela retirada de verbas característica da política neoliberal para a saúde. O projeto de Fundações Estatais de Direito Privado, forma mais avançada na saúde do projeto neoliberal iniciado por Collor, continuado por Itamar Franco, consolidado por FHC e aprofundado por Lula, além de desobrigar o estado e abrir caminho para as empresas, consolida ainda mais claramente a política de transferência dos recursos públicos para o setor privado, representando os interesses dos hospitais privados e planos de saúde e deixando a classe trabalhadora sem condições de atendimento. Essa política é facilmente constatada ao observamos que, do percentual do PIB destinado à saúde, grande parte é aplicada na chamada saúde “suplementar”, de caráter privado e que assume a prioridade dos investimentos públicos.


A aprovação do Ato Médico vai aprofundar a crise na saúde: implica diretamente num atendimento de menos qualidade para a classe trabalhadora, pautado por uma lógica que ignora a complexidade do indivíduo e se orienta pela “repartição” do paciente em diversas fatias, cada uma rentável a determinado segmento profissional. O Ato Médico, assim, alimenta a concepção de saúde neoliberal e propõe uma prática adequada ao modelo das Fundações Estatais de Direito Privado, ignorando os programas de promoção e prevenção em saúde característicos do SUS e centrando a política de saúde na doença. A concepção de saúde apenas como ausência de doença, ignorando a integralidade do indivíduo e suas relações com o meio social em que está inserido, apresenta o médico, que diagnostica e trata as doenças, como único responsável pela reabilitação e delegação de tratamentos a serem efetuados por outros profissionais de saúde, abandonando o importante princípio das práticas multiprofissionais em saúde.


A luta contra o Ato Médico perpassa pela concepção de saúde e de sociedade que necessitamos, pois vemos os hospitais e os postos de saúde em constante degradação, e qualquer epidemia trata de trazer a tona isso. Os trabalhadores madrugam nas filas para conseguirem atendimento, as emergências funcionam em macas em corredores, não temos políticas preventivas eficientes, os funcionários da saúde ganham pouco para o tamanho desgaste, há falta de concursos públicos para suprir o quadro de falta de funcionários, e agora há reserva de mercado só vai burocratizar o atendimento, rebaixar os profissionais de saúde, burocratizar o médico, e intensificar a piora nos atendimentos, isso tudo para garantir os lucros dos empresários do setor da saúde.


Diante dessa realidade, o Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa está envolvido na construção da Campanha Quanto Vale o Paciente na UFRJ, que já organizou atividades de panfletagem na universidade, um seminário de debates e organização da luta contra o ato médico e realiza uma manifestação pública na próxima semana. Convocamos os estudantes e trabalhadores da saúde de todo o país a construírem uma luta nacional unificada contra o Ato Médico - que agora tramita no Senado -, em defesa de uma saúde pública de qualidade e a serviço dos trabalhadores!

Segunda-feira

Mensalão pra quem?

Caetano Veloso e a Perfeita Imbecilidade Ególatra...

por Mauro Carrara*



Disse o baiano ao jornalão dos Mesquitas, declarando seu voto em Marina Silva:

- Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é
analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando,
grosseiro. Ela fala bem.

A declaração é reveladora. Serve bem a desmascarar esse Caetano
ególatra, subproduto pós-moderno de si mesmo, tolo que substituiu o
poeta sem lenço e sem documento.

O atual Caetano, aliás, converteu-se numa espécie de Gabeira sem
carreira parlamentar.

Folga em construir frases de efeito (?) que ecoem o pensamento da
malta conservadora.

Aliás, ególatras, tanto um quanto outro, pronunciam aquilo que os
eleva a ícones publicitários da mídia reacionária e monopolista.

Para Cagabeira, bons alunos de FHC, princípios e história estão em
segundo plano. Vale a exaltação do "eu", muitas vezes doentia, muitas
vezes ridícula, quase sempre deprimente.

Cabe lembrar que, no agora decadente, ambos não se envergonham de
adular o tucano-demismo. Julgam-se, assim, diferentes, autônomos,
batutas...

No caso do compositor baiano, não há acanhamento na rotina de visitas
à casa grande. Pede-se a "bença" ao coronel, como se isso fosse
"bonitinho", supimpa.

Logicamente, ao sair, entregam-lhe na varanda uma cesta de pães
amanhecidos, uns maracujás murchos e até uns tostões, prova da
generosidade do senhor de engenho.

Caetano se julga o gênio da raça, o supra-sumo da cultura mestiça
brasileira, o sol da Tropicália, o sabe-tudo que, de tão sabedor, pode
desprezar os incultos da pátria. Blasé por desejo divino e
necessidade.

O poeta se julga mais poeta porque inventa coisas enigmáticas que o
povo não compreende. Acredita, desde sempre, que se distinguiu dos
mortais da arte ao reproduzir os vôos concretistas dos irmãos Campos e
de Décio Pignatari.

Qual seria, então, o conceito caetanista de analfabetismo? E o que
seria "saber falar"? Para quem cagou montes para a regra, o vetusto
Caetano agora se arroga protetor da norma culta.

Metido com os descolados gurus da Semiótica, tão afeitos à subversão
das formalidades da língua, Caetano vai terminando a vida como um
ortodoxo, rabugento e tolo capataz copista.

Talvez o que incomode Caetano seja justamente a inteligência de Lula,
sem verniz, sem laços, fitas e rimas forçadas. O pernambucano
comunica-se, transmite a mensagem e, mais que isso, faz de sua locução
uma poderosa arma de transformação. Lula, para completar, é autêntico
e "faz acontecer".

Ora, isso causa muita inveja nessa turma dos pedidores de "bença",
tantos deles enfiados na boa Bahia, uns rebolando em cima de trios
elétricos pagos pela Philips, outros servindo de escribas para a
família Marinho.

Ironicamente, o Caetano envelhecido, cruzado da gramática, também
levaria puxões de orelha dos Pasquales da vida. Pontua mal,
embanana-se em conjugações e, não raro, confunde-se nas regências.

Por fim, talvez "cafona" seja a palavra mais "cafona" da língua.
Perceba-se: somente cafonas e afetados a utilizam.

E a que será que se destina, a cajuína?

No caso de Caetano, fazer papel de imbecil ególatra. Esta, pois, virou
a sua sina.



*Mauro Carrara é jornalista, nascido em 1939, no Brás, em São Paulo.
Na década de 80, prestou serviços para a ONU em países como China,
Iraque e Marrocos. Atua na área de comunicação e relações
internacionais.

Livres...

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás...

Terça-feira

FUP...

Entrevista com Tony León, Secretário geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Energia e Petróleo da Venezuela

Em entrevista à Central Única dos Trabalhadores (CUT), o secretário geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Energia e Petróleo da Venezuela, Tony León, defende a luta pela soberania energética em todo o continente latino americano. O sindicalista venezuelano é também coordenador do Comitê Internacional do Foro Latino Americano dos Trabalhadores de Energia, do qual a FUP faz parte. Além de destacar a experiência da nacionalização dos recursos minerais em seu país, Tony León também fala sobre a unidade da classe trabalhadora contra o imperialismo, o fortalecimento dos governos populares, a integração do Continente, a solidariedade internacional e o investimento na formação político-ideológica-sindical.

Como o Foro Latino Americano dos Trabalhadores de Energia vê o atual momento político brasileiro de mobilização por uma nova lei do petróleo?

Com profunda identidade e muita esperança. O Brasil é um país imenso e uma mudança no marco regulatório do petróleo, uma mudança que fortaleça cada vez mais a nacionalização e a estatização desta riqueza, particularmente agora com a descoberta do pré-sal, significa muito para os povos do nosso Continente. Nos identificamos plenamente com a luta da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Central Única dos Trabalhadores, em conjunto com as demais centrais e movimentos sociais, para garantir o pleno exercício da soberania energética, reconhecida como um direito fundamental. Temos a convicção de que a mobilização do povo brasileiro será vitoriosa, pressionando os parlamentares para garantir avanços significativos. A energia é o motor da integração e deve ser preservada como patrimônio dos povos, não de empresas multinacionais.

Nos conte um pouco sobre a experiência venezuelana.

Desde 1998, na Venezuela, foi lançada uma campanha para que se modificasse os termos da Constituição de 61. Com intensa participação popular, a Assembleia Constituinte adequou a nossa lei orgânica de hidrocarbonetos aos novos tempos, virando a página do entreguismo, que era a marca dos governos anteriores. Diferente daqui, onde parcela dos deputados e senadores conspiram contra o interesse nacional, lá tivemos o Congresso unânime para garantir uma empresa 100% estatal, convertendo definitivamente a renda petroleira em benefícios diretos para a população, melhorando a saúde, a educação, a agricultura e a infraestrutura do país. Como vocês aqui, tomamos a decisão de não seguir permitindo a continuidade do sistema de concessões, pelos quais o cartel estrangeiro passa a administrar uma riqueza estratégica. Foi esta mudança que permitiu ao povo venezuelano tomar as rédeas do processo.

Efetivamente um marco na história do país.

É evidente. A história da Venezuela se divide antes e depois da chegada do presidente Hugo Chávez ao poder. Ele se elege pela primeira vez em dezembro de 98 e toma posse em fevereiro de 99. Até então, nossas reservas petrolíferas eram entregues em diferentes "convênios" associativos. Tínhamos a presença de todas as multinacionais do mundo, que se aproveitavam da situação, pois quase não pagavam impostos. Era uma política desenhada pelo imperialismo avalizada pela oligarquia em frontal violação à nossa soberania. Para se ter uma idéia, quando havia alguma pendência jurídica o julgamento era feito nos tribunais internacionais, não sob as leis venezuelanas. Então decidimos que o petróleo era nosso e que nós mesmos iríamos administrá-lo, respeitando os investimentos feitos pelas empresas. Três multinacionais não aceitaram isso e a Esso, por exemplo, foi aos tribunais internacionais, com uma campanha bárbara e criminosa contra a Venezuela. Saímos vitoriosos e a PDVSA, nossa empresa estatal petrolífera, absorveu todos os trabalhadores terceirizados da Esso.

O que havia até então era um verdadeiro assalto aos recursos petrolíferos.

Podemos dizer que os ingressos procedentes da renda petroleira eram efetivamente muito poucos, ínfimos. Isso não mudou até 2002, pois havia uma gerência que era como um quisto na PDVSA, respondendo aos interesses das multinacionais. Em abril de 2002, com o locaute-sabotagem petroleiro, que foi o primeiro golpe contra o governo bolivariano, isso começou a mudar. A paralisação da PDVSA teve um alto custo econômico, com o país perdendo mais de 20 bilhões de dólares, a produção caindo de 3.150 barris de petróleo para apenas 25 mil em dezembro daquele ano, quando 20 mil funcionários saíram da estatal. Naquele momento a solidariedade e o apoio técnico brasileiro jogou um papel decisivo, quando nosso país deixou de ser exportador para importador de gasolina. As filas eram intermináveis, pessoas morreram pois não tinham como se deslocar até os hospitais. Muita gente ficou sem gás para cozinhar. A armação golpista teve um alto custo econômico, mas nos recuperamos. A tecnocracia investiu naquele golpe de estado, articulada com a central da oligarquia, a CTV, a entidade empresarial Fedecámaras e o imperialismo norte-americano atuando naquele 11 de abril de 2002 para depor o presidente Chávez. Dois dias depois, uma aliança cívico-militar devolveu ao povo a presidência. A partir daí nacionalizamos o petróleo. Antes quem tirava era o administrador do bem, havia muita corrupção. Hoje é o governo venezuelano quem tem o controle, o capital acionário, quem conduz, comercializa. Hoje, o Estado fica com 50% do imposto da renda petrolífera e 33% dos dividendos. Há um Fundo Especial que administra estes recursos para dar melhores condições de saúde, educação, alimentação e infraestrutura ao nosso povo.

Como isso se dá, concretamente?

Para enfrentar emergencialmente muitos dos graves problemas sociais herdados, temos em nosso país programas sociais que chamamos de Missões. É uma ação conjuntural, de reestruturação do aparelho de Estado. Temos a Missão Robinson, com o apoio do heróico povo cubano, de atenção à educação básica primária, onde alfabetizamos um milhão e meio de venezuelanos que não sabiam ler nem escrever, inclusive adultos de mais de 70 anos. A Missão Ribas, que investe na educação média, com a qual já formamos mais de 600 mil bacharéis. A Missão Sucre, voltada à educação superior, com investimentos na criação de novas universidades, como a Universidade Bolivariana da Venezuela e das Forças Armadas, que agora estão abertas ao povo. Temos um milhão de novos jovens venezuelanos na universidade, disseminando o conhecimento por todo o país. Além disso, todos os estudantes das missões Robinson e Ribas recebem ajuda financeira, assim como parte considerável dos estudantes da Sucre.

Resultados palpáveis, principalmente para a população mais pobre.

Este é o compromisso primeiro. Também em convênio com os companheiros cubanos temos os programas Bairro Adentro I, II e III, com atenção médica primária à população mais pobre, com a participação de cerca de 30 mil médicos e enfermeiros. Temos um consultório em todos os bairros de Caracas e na zona rural, se entrega gratuitamente medicamentos, se construíram Centros Integrais de Diagnóstico, com os melhores equipamentos, se criou a Universidade Latino-Americana de Medicina, nos mesmos moldes da existente em Cuba, que é referência de medicina social, se estruturou o Hospital Cardiológico Infantil, se investe muito em fisioterapia.

E a questão alimentar?

Nosso país tem sido historicamente um importador de alimentos. Hoje, tentamos mudar esta realidade, utilizando os recursos provenientes do petróleo para garantir nossa soberania alimentar. Além do programa de alimentação Missão Mercal, que está disseminado pelo país, com produtos subsidiados à população, temos o PDVAL, que conta com a estrutura da PDVSA, para derrotarmos a campanha de desabastecimento promovida por setores da elite e dos latifundiários e multinacionais, que já assassinaram 130 camponeses nesta luta por alimento barato, por reforma agrária, por apoio à agricultura familiar. Estamos investindo na agroindústria, no processamento de alimentos como leite e milho, contando com o apoio técnico do Irã; na indústria de máquinas agrícolas, com o auxílio da Argentina, do Brasil e da Bielorrússia, e ampliamos o investimento em centros genéticos para a produção de sementes. Estamos também investindo em empresas nacionais de cimento e siderurgia, que são áreas estratégicas para o nosso desenvolvimento, para prover materiais para as pontes sobre o Rio Orinoco, para o plano de expansão ferroviária e metroviária. Podemos dizer que se antes a riqueza do petróleo semeava pobreza e miséria, hoje ela constrói um novo país mais justo, humano e igualitário. Para nós, esta concepção significa a negação do capitalismo, e aponta para a construção do socialismo.

Como vês a entrada da Venezuela no Mercosul?

Acredito que o ingresso da Venezuela jogará um papel importantíssimo no Mercosul, pois fortalecerá a aproximação dos governos progressistas, imprimindo maior dinamismo e complementaridade à economia regional. Além de favorecer o comércio, a participação venezuelana impregnará o Mercosul de conteúdo social, aprofundando a solidariedade entre nossos países e povos.

Os meios de comunicação no Brasil ignoram solenemente a realidade venezuelana, tentando impor sua visão distorcida sobre o processo de mudanças em curso. Na sua opinião, a que se deve este comportamento?

Há uma satanização do processo revolucionário bolivariano. O temo correto é este: satanização. Por quê? Porque abre esperança para a América Latina e para o mundo, porque coloca o socialismo na agenda. Porque atua ao lado de Cuba, da Bolívia e do Equador para a construção de novos valores de justiça, que soma com a Argentina, Brasil e Uruguai na consolidação de um campo. Contra os interesses dos povos, os grandes meios de comunicação são uma arma para as multinacionais, para os interesses do grande capital. Daí sua campanha de descrédito para destruir os passos não só da integração latino-americana, mas da integração africana, asiática. Infelizmente este não é um privilégio da imprensa brasileira, ocorre também em nosso país. Por isso estamos comprometidos com a soberania comunicacional, investindo em canais públicos, estatais e comunitários, com normas legais e regras que democratizam as concessões de rádio e televisão. A Telesul está jogando um papel decisivo neste novo momento, como ficou claro na questão da luta contra o golpe em Honduras. O debate sobre a comunicação é algo que vem tendo cada vez mais peso na atualidade e acreditamos que devemos levá-lo em conta no debate de formação política-ideológica-sindical. Este é um ponto que queremos estreitar mais na nossa relação com a CUT, particularmente na área de formação.

Como o Foro está avaliando a crise hondurenha?

Repudiamos veementemente o golpe de Estado contra o presidente Manuel Zelaya, movido por setores oligárquicos alentados pelo imperialismo norte-americano, com o objetivo de não permitir a nossa integração e unidade. É um ataque contra a Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), contra a soberania nacional e a auto-determinação dos povos. Estamos em contato permanente com a Frente de Resistência Nacional e exigimos que se respeitem os direitos humanos do povo hondurenho e da democracia. Mais do que declarações, nossa militância e nossos dirigentes estão empenhados em derrotar os golpistas e restabelecer o governo constitucional.

Sábado

O Capital II...

"A queda da burguesia e a vitória do proletariado não se concretizaram. Mas, na obra de Marx, os erros ou profecias não cumpridas sobre o capitalismo são ofuscados e transcendidos pela acurada precisão com que revelou a natureza deste monstro. Enquanto tudo que é sólido continuar se desmanchando no ar, o vívido retrato feito emO Capital das forças que governam nossas vidas – e da instabilidade, alienação e exploração que produzem – jamais perderá a ressonância ou o poder de colocar o mundo em foco."


Francis Wheen

Lina e sua agenda...

Autor: João Felício é secretário de Relações Internacionais da CUT e secretário Sindical Nacional do PT.


O jornal Folha de S.Paulo publicou extensa matéria em sua edição do último domingo com o sugestivo título: "Lina acha agenda que teria data de reunião com Dilma". Recém-chegado do exterior, me vi estimulado a escrever este breve comentário.

Há 15 anos estou na executiva nacional da CUT participando de atividades pelo mundo afora, prática que se intensificou no último período quando fui eleito secretário de Relações Internacionais da Central, com intervenções em fóruns, eventos e seminários.

Sempre analisei a forma como dirigentes sindicais, governantes e jornalistas de outros países se relacionavam com o Brasil, e não há como deixar de fazer comparações, traçar paralelos sobre o ontem e o agora.

Confesso que nos últimos anos vêm crescendo imensamente o respeito e a admiração pelos avanços que temos obtido, particularmente dos resultados colhidos pelos projetos sociais do governo federal, como o Bolsa Família, Luz para Todos, Prouni, PAC e o Minha Casa, Minha Vida. Programas e medidas que se somam às políticas de crédito e de incentivos às moradias populares, urbanas e rurais.

Neste momento, foi tema de seminário em Berlim, do qual participei, a forma com que o nosso país está saindo da crise devido à rapidez das medidas tomadas pelo governo, pela diversificação da economia, pelo investimento no mercado interno e, especialmente, pela política de valorização do salário mínimo.

Nunca fui de ficar entusiasmado com excesso de elogios e muito menos de críticas, mas estou empolgado com o novo Brasil que está surgindo. Em países tão diferentes como a África do Sul e a Alemanha, pude ouvir calorosos aplausos de pessoas dos mais variados matizes políticos e ideológicos. Todos querendo saber o que está ocorrendo por aqui e manifestando profunda admiração.

Qual não foi minha surpresa quando desembarquei em São Paulo e comprei os jornais para me "atualizar". Parece até que desci em outro país, pois aquela boa imagem que temos lá fora se viu, repentinamente, embaçada pelos meios de comunicação.

Defendi e defendo a liberdade de imprensa, o direito à crítica. Não a unidirecional, oportunista, que se guia pela desqualificação; a embasada. Definitivamente a imprensa brasileira não é livre, não pratica a liberdade, a não ser o de meia dúzia de famílias que mandam e comandam, mentem e caluniam impunemente.

Na verdade, respondendo aos interesses de seus donos, boa parte da mídia constrói uma realidade virtual, onde o supérfluo vira manchete, a banalidade ganha o pódio e o que não tem importância nenhuma se transforma na grande notícia do dia. O que é importante, com certeza porque contraria os interesses desta elite, fica completamente secundarizado, quando é veiculado. Quando a notícia é boa, rapidamente sai do noticiário. Se for algo que, na avaliação desta mesma mídia, é contrário ao governo ou aos movimentos sociais, a "informação" permanece durante vários dias, às vezes até por semanas e meses.

Recentemente o Brasil foi reconhecido como o país que mais combateu a fome. Ganhou o Prêmio Políticas do Futuro (Future Policy Award), entregue ao governo brasileiro em cerimônia realizada na sede da Prefeitura de Hamburgo, norte da Alemanha. A importante premiação passou completamente em branco na imprensa brasileira, salvo raras e honrosas exceções, que só confirmam a regra da cortina de fumaça e de silêncio contra qualquer agenda positiva.

Em vez de se preocuparem com a consolidação da democracia, com o fortalecimento do Estado, com uma administração republicana, a maior parte dos meios de comunicação se comporta de forma antidemocrática e antiética, com um partidarismo que beira o esculacho.

Em agosto foi realizado o Congresso Nacional da CUT, com mais de dois mil delegados e mais de cem delegados internacionais. Não foi veiculada nenhuma notícia na imprensa. Tanto na África do Sul como em congressos que participei pelo mundo afora, o congresso da central sindical local aparece na primeira página, de forma positiva ou apenas informativa. Só não são destaque onde a imprensa também é autoritária e excludente, como a daqui.

Analisando friamente sobre o caso Lina: qual a relevância que tem para o país e para a sociedade brasileira a ex-secretária da Receita Federal ter achado a sua agenda? O que explica tamanho furor para manchetar uma funcionária, cujo marido foi ministro de FHC? Qual a importância que isto tem? Oh! A Lina achou sua agenda, pessoal. Vejam que esta é uma confissão cabal, por inteiro, da mais completa ausência de assunto para espinafrar o governo. Garimpam notícias sem a menor importância, transformando o lixo em luxo ao sabor da conveniência.

Beirando o ridículo e extravasando cinismo, a imprensa brasileira, dominada pela oposição demo-tucana, quer que Lina volte ao palco, que acendam-se os holofotes, que se pintem de ouro os microfones e elevem-se às alturas o volume das caixas de som, para que a ex-secretária, agora sua salvadora, volte a reacender o fogo da infâmia contra a candidata do Lula.

O que dizer para a dona mídia? Pobre menina rica.

Sexta-feira

Esquerda Reafirmada...

Fonte: Blog Panscopia


Tarso Genro e Vinicius Wu publicaram, no dia 10 de Março de 2009, um artigo no site nacional do Partido dos Trabalhadores intitulado “Esquerda renovada”, tendo por objetivo apresentar, como transmite a mensagem de seu subtexto, “Subsídios para uma nova ação estratégica do PT”. Afirmamos que a estratégia proposta por eles traz possibilidades desastrosas para o Partido dos Trabalhadores. É a prova viva, palpável, de que o espelho da esquerda, mais freqüentemente e amplamente do que aceitamos, tem o reflexo único da classe burguesa-capitalista, apesar dos pretensos “socialismos” espalhados como vírgulas. Explicaremos o porquê.

ESQUERDA REAFIRMADA

Tarso Genro e Vinicius Wu publicaram, no dia 10 de Março de 2009, um artigo no site nacional do Partido dos Trabalhadores intitulado “Esquerda renovada”, tendo por objetivo apresentar, como transmite a mensagem de seu subtexto, Subsídios para uma nova ação estratégica do PT”.

Estamos certos de que, por ser uma estratégia que está sendo proposta ao PT e a todos nós, petistas, devemos nos posicionar, seja para nos situarmos contra ou a favor àquilo que se entende constituir a via para o socialismo. Não foi senão sob esse propósito que eles decidiram compartilhar conosco suas preocupações sobre os rumos do PT nos próximos anos, e reconhecemos que é sempre meritório fomentar o debate. Contudo, não podemos nos esquecer de observar que Tarso Genro e Vinicius Wu alinham-se ao campo Mensagem ao Partido, que no seu interior arregimenta tendências do PT, entre as quais a Democracia Socialista. O que eles dizem, assim, é a expressão não somente das concepções de cada um, mas sim de um grupo organizado e suficientemente autônomo para desenvolver uma elaboração teórica própria.

Motivou-nos escrever este artigo a percepção de que palavras não são simples palavras[i]. Desvendar tudo que vem do “lado de lá” – ou seja, do campo contrário a qualquer ruptura da ordem estabelecida – é necessário para a construção de alternativas autênticas e coerentes que levem a uma formação social sem classes sociais.

E é a partir desta percepção que afirmamos: a estratégia proposta por eles traz possibilidades desastrosas para o Partido dos Trabalhadores. É a prova viva, palpável, de que o espelho da esquerda, mais freqüentemente e amplamente do que aceitamos, tem o reflexo único da classe burguesa-capitalista, apesar dos pretensos “socialismos” espalhados como vírgulas. Explicaremos o porquê.

TRABALHO DE SÍSIFO

Na mitologia grega, Sísifo foi considerado o mais astuto dos mortais. Ousado e possuidor de grande esperteza, enganou e desafiou o poder dos deuses a cada vez que escapava da morte. Tanta audácia provocou a ira de Zeus – deus supremo -, que o enviou ao inferno. Lá, Sísifo foi condenado por toda a eternidade a rolar uma grande pedra até o cume de uma montanha. Nunca conseguia completar o trabalho, já que por uma força irresistível a pedra rolava abaixo.

O direcionamento proposto por Tarso Genro e Vinicius Wu levará o Partido dos Trabalhadores a desempenhar um papel que lembra a imagem de Sísifo, e de forma invertida psicologicamente. O partido não empurrará a pedra como castigo de sua “personalidade ousada”, mas acreditará fielmente em seu esforço; a classe capitalista não irá reprimir nosso partido devido às suas tentativas de transformação, e sim estará aos risos a cada vez que a pedra – a acumulação de capital – rolar a montanha, de forma acelerada. Por que isso ocorreria?

É na introdução do artigo (”Uma nova estratégia”) em que se revela a principal tese dos autores, presenteando-nos abertamente com orientações teóricas esclarecedoras de seu rumo conservador:

“Uma estratégia política socialista, conduzida por um partido de esquerda nos dias de hoje, deve recuperar os valores tradicionais da social-democracia pré-bolchevique e do socialismo democrático europeu e latino-americano¹ – república, igualdade e afirmação de direitos – atualizá-los e vinculá-los aos interesses concretos e às demandas políticas dos grupos e classes sociais, para as quais o crescimento econômico e a distribuição [de] renda são uma necessidade ou uma exigência.”

Ganhamos um presente; mas precisamos retirar o laço e o papel de embrulho. O que é exatamente a “social-democracia pré-bolchevique”? Em que contexto mais amplo estão inseridos os valores citados? Tomando-se como referência o período entre a morte de Friedrich Engels (1820-1895) e a Revolução Russa (1917), encontramos Eduard Bernstein (1850-1932) como um dos grandes expoentes dessa corrente não-revolucionária. Estabelecido esse marco, podemos recorrer ao seu pensamento para entender o que Tarso Genro e Vinicius Wu estão propondo:

“Segundo a elaboração teórica bernsteiniana, dever-se-ia empreender um esforço de revisão e correção3 das teses enunciadas por Marx e Engels. Haja vista que o capitalismo teria demonstrado uma grande capacidade de adaptação e estabilidade, comprovada pela ausência de crises e pela crescente democratização do Estado Liberal de Direito, a hipótese determinista que previa o colapso inevitável do sistema deveria ser descartada. Conseqüentemente, caberia aos socialistas a renúncia da ‘utopia revolucionária’ e a adoção de estratégias políticas que permitissem, no interior do sistema democrático capitalista, a conquista gradual de melhorias para as classes trabalhadoras. Estas medidas levariam enfim o Estado à perda de seu caráter de classe, assumindo a defesa do ‘interesse geral’ (Bernstein, 1982).” [ii]

E mais à frente:

“De acordo com a teoria bernsteiniana, a utilização dos princípios da filosofia da história de Hegel [concepção dialética] levaria em último caso à justificação do emprego da tática revolucionária através da força. Neste aspecto, o marxismo estaria ainda estreitamente vinculado ao blanquismo, no que tange à sobrevalorização da força criadora da violência revolucionária e à idéia de conquista do poder político através de golpes revolucionários (Bernstein, 1982). Amparando-se na última obra de Engels, a introdução elaborada em 1895 à ‘Luta de Classes na França’, Bernstein manifesta abertamente seu repúdio à via revolucionária, defendendo firmemente o reformismo e o papel da atuação parlamentar e sindical na consecução dos objetivos da classe operária.” [iii]

De fato, o presente recebido bem se relaciona com o mito, já que lembra a conhecida expressão “presente de grego”.

Os valores de “república” e “igualdade” devem nortear uma ação que não deixe as classes sociais em luta, mas sim que se unam em prol da “nação”. Ou seja, deve-se elaborar uma estratégia não-revolucionária, em torno da suposta possibilidade de fortalecimento do Estado de Direito, que levaria a uma aproximação entre as classes. Temos aí, pelo menos, duas ilusões: a crença em um movimento de tipo “evolucionismo social atualizado” [iv]; e a pretensão de ser uma renovação da esquerda.

Quanto à primeira, podemos depreender o seguinte: todas as dificuldades que a humanidade já enfrentou, e enfrenta, têm suas razões decorrentes de sentimentos individualistas e egoísmos; contudo, se construirmos um sentimento de “identidade nacional”, havendo cooperação entre classes, dentro de uma “democracia substancial”, chegaremos ao socialismo. Pronto, muito fácil.

Diz-se “atualizado” por referir-se à operação lógica de revisitar o estatismo[v], herdado de uma orientação socialista revolucionária, mas que agora se expressa numa necessidade de se diferenciar dos tucanos, opondo-lhes um projeto que, em seu limite, é pós-neoliberal. Ou seja, mantém-se ainda limitado aos marcos da produção capitalista: como obviamente se pode imaginar, essa evolução ao socialismo não aconteceria livremente, necessitando-se, pois, de um Estado sólido, que regule o mercado, com o aproveitamento do seu “potencial positivo”, prevenção dos “abusos” dos banqueiros e implementação de políticas que “aproximem as classes sociais” [vi]. Aqui, qualquer relação entre essa ideia e a insígnia “ordem e progresso” (ou seja, o progresso só é possível mantendo-se a ordem), proclamada pelos positivistas e cravada em nossa bandeira não será mera coincidência.

Por muitos anos, e a isto se assiste ainda hoje, nas salas de aulas dos cursos ligados às ciências humanas e sociais, a concepção dialética em Marx, trazida ao materialismo histórico, foi vulgarmente criticada por implicar um determinismo do triunfo do proletariado sobre o capital. Correspondendo ou não à verdade, não é determinismo maior a ideia de que é possível haver um “evolucionismo social”?

Independente da possibilidade do movimento de evolução, o horizonte que se têm em vista é inalcançável. Isso porque a ideia que temos hoje de “república”, de “democracia”, inclusive de “Estado”, é a ideia realmente existente, não sendo de maneira alguma possível ressignificá-la senão através de uma intervenção na gênese do real, isto é, na origem de toda relação social pela qual o conhecimento vem a ser apropriado.

Haverá quem diga que estamos distorcendo o que os autores propõem, e associá-los ao liberalismo é mero artifício intelectual, exercício de retórica, verborragia ou mesmo, digamos, “diletantismo acadêmico”. Porém, reparem no trecho primeiramente citado; fala-se de “interesses concretos (…) dos grupos e classes sociais, para as quais o crescimento econômico e a distribuição [de] renda são uma necessidade ou uma exigência”.

A ausência de qualquer referência específica à classe trabalhadora, ou ainda às classes trabalhadoras, não pode, de maneira alguma, ser considerada por acaso. Essa omissão significa declarar uma opção política, ainda que processada inconscientemente. Afinal, é óbvio que crescimento econômico não é necessidade ou exigência apenas da classe trabalhadora; os capitalistas auferem muito mais lucros em momentos de crescimento, e um melhor nível de distribuição de renda aumenta a quantidade de pessoas com poder de consumo, sendo este necessário à própria realização cíclica de capital.

Assim, fica clara a segunda ilusão, a pretensão de esses subsídios orientarem uma renovação da esquerda, já que transitam entre o projeto das revoluções burguesas e a submissão do socialismo a esse mesmo projeto, via personalidades como Eduard Bernstein e Karl Kautsky (1854-1938).

TOQUEM A NONA SINFONIA AÍ

Nada disso, portanto, vem ao acaso. Assim é que as concepções da “nova ação estratégica” pretendem estar amparadas na realidade, numa aparente mudança das configurações e relações de classe no Brasil.

Exemplo claro disso é o tópico por cuja leitura se percebe algo que inspira a preocupação dos autores. Ele intitula-se “A nova ‘Questão Democrática’ as novas classes médias no Brasil” e pode ser resumido nos seguintes trechos:

“As ações de governo do Presidente Lula vêm mudando, internamente, as classes e as relações entre os diversos segmentos sociais no país. Além das classes e setores de classes tradicionalmente existentes na nossa formação social capitalista emergente e dependente, [...] surgem novos grupos sociais no entorno e no interior das classes trabalhadoras e das tradicionais ‘classes médias’. Alguns destes setores já são chamados de ‘nova classe média’ [...] Dentro destas novas classes emergentes e grupos sociais renovados, no interior das classes sociais tradicionais (também tocadas economicamente e culturalmente por estas mudanças) já existe uma disputa política e ideológica – espontânea ou deliberada – sobre os rumos da sociedade brasileira atual. [...] A disputa, na verdade, é pela apropriação dos frutos da democracia, sobre o ‘valor’ – econômico e social – da preservação ambiental e sobre a qualidade de vida nas grandes regiões metropolitanas”.

E conclui no tópico seguinte, “O futuro da Revolução Democrática: apontamentos para uma nova síntese programática”:

“Novos sujeitos sociais despontam no cenário político nacional. Sua efetiva integração à democracia brasileira será um elemento decisivo para a renovação da utopia democrática que deu origem à vitória eleitoral das forças populares em 2002 e 2006″.

Isto é, um dos motivos por que seria necessária a “nova ação estratégica” para o PT, retomando o primeiro enunciado do trecho anterior, residiria nas “[...] ações de governo do Presidente Lula [que] vêm mudando, internamente, as classes e as relações entre os diversos segmentos sociais do país”.

Há muitas controvérsias a respeito do que Genro e Wu compreendem por classes sociais. Em linhas gerais, partindo-se de uma simples pergunta, “o que é classe social?”, podemos identificar as posições de um e de outro:

“[...] perante o sistema capitalista, a convicção sobre sua transitoriedade e o objetivo procurado pela análise. Há os que querem entender o funcionamento do sistema para flagrar suas fragilidades e lutar para superá-lo. O objetivo de outros é compreendê-lo para melhorar sua defesa e manutenção. E há aqueles que querem conhecer as tendências da opinião pública para melhorar o desempenho eleitoral ou vender melhor um produto” [vii].

Entendemos que o Partido dos Trabalhadores é um partido socialista, e como tal deve figurar entre aqueles que buscam “entender o funcionamento do sistema para flagrar suas fragilidades e lutar para superá-lo”.

Porém, o conceito de classe, embora pareça substancializar um conteúdo decisivo para os que lutam pelo socialismo, não é suficiente para a compreensão do sistema no seu todo. Prova disso é a própria banalização do conceito, que acontece nas palavras de Tarso Genro e Vinicius Wu, confundindo classe social e relações de classe, com os chamados “grupos de status”, separados uns dos outros pelos seus níveis de renda, excluindo os antagonismos realmente existentes entre setores cuja principal diferença reside no lugar que ocupam num sistema de produção social[viii] historicamente determinado, na mesma medida em que permite igualá-los de acordo com critérios de renda, acesso a bens e grau de escolaridade. A classe média, então, define-se:

“[...] como aquela que espera uma posição melhor no futuro e planeja sua vida nesse rumo. [...] Essa é a origem de ferramentas conceituais das quais o Critério Brasil é um exemplo, em que o acesso a bens, renda e educação leva à soma de pontos que define a classe [...] A partir daí foi desenvolvida a teoria econométrica, supostamente objetiva, que fundamenta a diferenciação em níveis de consumo A, B, C, D e E, utilizada pelos institutos de pesquisas e popularizada pela imprensa.

Essas definições de classe social têm dois defeitos fundamentais. Um é o seu subjetivismo; outro, um objetivismo arbitrário, baseado no acesso aos serviços e bens de consumo ou numa característica mutável que é a profissão. A esfera da distribuição das mercadorias é posta no centro da análise, desconsiderando a posição das pessoas nas relações sociais de produção que geram as riquezas e determinam a cota de cada um em sua distribuição.” [ix]

O corte produção x distribuição não é apenas uma falha no método. Trata-se de uma entorse cavalar na apropriação do conhecimento teórico. É problema de forma, de conteúdo, que desemboca num problema aborrecedor de concepção. O que é pior: todos esses equívocos se expressam sob a forma de deliberada opção teórica.

Genro e Wu admitem que as diversas expressões do conjunto social, inclusive aquelas que caracterizaram e conformaram os governos democráticos desde a consolidação da burguesia no poder político e econômico na história da humanidade, i.e., final do século XIX e início do século XX, realmente apareçam ao “indivíduo” como simples meios de realizar seus fins privados.[x]

Assim, numa produção (e distribuição) desregulada, as pessoas permitir-se-iam toda classe de arbitrariedade, necessitando regular a distribuição de bens, separando-a da própria produção, para que o direito de força enfim sobreviva na forma de democracia, ou “Estado Democrático de Direito”. Tal não é senão uma concepção política do liberalismo clássico, já criticada por Marx em 1857[xi].

Pode parecer paradoxal situarmos a orientação deles primeiro, como expressão de uma socialdemocracia pré-bolchevique, e agora, do liberalismo clássico. Mas, de fato, é assim que a coisa se dá.

Uma estratégia socialista por transição – e não por ruptura, que é um dos principais elementos que eles desejam eliminar das elaborações de parte da esquerda – não tem uma unidade interna autônoma, que supere o liberalismo. Ou seja, por não compreender a natureza de uma sociedade fendida, dividida, partida em classes sociais, e a luta entre elas, expressa das mais variadas formas, essa estratégia linear baseada na progressão, nas conquistas graduais, enfim, na evolução social mediada por um Estado sólido, seja na forma de instituições democráticas consolidadas, seja numa economia participativa, não atinge nenhum modelo societário no qual tenha fim a exploração humana por si mesma.

No limite, o ânimo de Genro e Wu diante do crescimento da classe média, da emergência de “novos sujeitos políticos e sociais”, ampliação do acesso a bens e serviços, pode ser interpretado na convicção de que essa será uma tendência natural do curso da sociedade capitalista, caso esta se mantenha alinhada ao eixo da dita “revolução democrática” e as forças políticas que venham a apoiá-la. Um raciocínio equivocado, já que a existência de uma ampla massa de consumo só reinjeta combustível à realização cíclica de capital:

“‘Para crescer em bases sólidas e de forma sustentada [...], uma economia precisa ser puxada pela classe média. [...] É isso o que interessa no argumento: trata-se da mudança capitalista da sociedade, que incorpora uma massa vista como capaz de dar garantia, consistência e segurança para o sistema. [...] Na medida em que o capitalismo desenvolve suas forças produtivas, essa classe aumenta em tamanho e influência’, diz Swingewood (Marx e a teoria social moderna, Civilização Brasileira, 1978)” [xii].

Por certo, aliás, que se advogássemos aqui um socialismo que se desvincula de todo e qualquer elemento do sistema liberal estaríamos na própria lógica do argumento evolucionista. Numa compreensão dialética da história sabemos que elementos anteriores reaparecem posteriormente, em novas sínteses. Contudo, nossa exposição tem mostrado que não há esse movimento; o que há é apenas uma tentativa de síntese entre um liberalismo político e um anti-liberalismo econômico.

Socialismo não é o conceito de Tarso Genro, ou de Vinicius Wu, por mais que apresentem como algo que queira ser diferente. Socialismo é conceito porque é histórica e socialmente determinado; ele é o que significa porque, como conceito, ideia, palavra, reúne significados no seu entorno, e ao fazê-lo só reassume sua forma de signo, linguagem, que não existe senão em sua forma social. Tranquilamente, e “sem medo de ser feliz”, portanto, reafirmamos que socialismo, em primeiro lugar, é socialização dos meios e instrumentos que, sob o controle da propriedade privada, dirigem a atividade produtora e reprodutora de vida, qual seja, a produção social. E ponto.

Porém, ardorosos dirigentes do campo “Mensagem ao Partido” realmente crêem na cisão entre o concreto e o abstrato, autonomizando o pensamento, assim como “Hegel [que] caiu na ilusão de conceber o real como resultado do pensamento que, partindo de si mesmo se concentra em si mesmo, se aprofunda em si mesmo e se movimenta por si mesmo” [xiii]. Em outras palavras, não compreendem o campo político como expressão, como “cara”, do campo das relações econômicas, onde é definido o que e como será produzido o que a humanidade precisa para sua continuidade; pelo contrário, é como se política e economia pudessem ser definidas independentes uma da outra. Tal idealismo ganha voz em outro artigo, sendo um dos autores o próprio Vinicius Wu, nesta passagem:

[Valter Pomar] não diferencia liberalismo econômico de liberalismo político. É reducionista na tentativa de ser convincente. Produz confusões – talvez intencionais. Argumenta contra o liberalismo ético e o republicanismo como se Milton Friedman e Norberto Bobbio pertencessem a um mesmo campo!” [xiv]

Em outras palavras, não compreendem o campo político como expressão, como “cara”, do campo das relações econômicas, onde é definido o que e como será produzido as mercadorias que vem garroteando, entre tempos e crises, as possibilidades de emancipação da humanidade; pelo contrário, é como se política e economia pudessem ser definidas independentes uma da outra.

A insuficiência do raciocínio é patente; fica clara quando, indignados, opõem Friedman e Bobbio. Para as análises que, paradoxalmente, mantêm-se na superfície da realidade, a distinção entre ambos é óbvia e profunda. Por outro lado, quando a análise se estende como exige o rigor científico, concluímos que Bobbio, conhecido por sua proposta de um “socialismo liberal”, pode opor-se a um monetarismo e à supremacia do mercado “autorregulado” [xv], mas de forma alguma nega o capitalismo, assim como também não o faz, muito pelo contrário, Milton Friedman. Perry Anderson, historiador marxista inglês, escreveu que:

“A aceitação de um regime democrático pressupõe a aceitação de uma ideologia moderada’, declara ele [Norberto Bobbio]88. Porque ‘decisões da maioria numa ordem política baseada no sufrágio universal permitem alterações no sistema, mas não permitem uma alteração DO sistema’89. A permanência do capitalismo como ordem social torna-se, em outras palavras, uma premissa de qualquer participação efetiva no estado representativo. (…) Acerca dos dois problemas – ‘quem governa e como governa?’ – Bobbio declarou sem maiores cerimônias em 1975: ‘não é possível haver dúvidas de que o segundo sempre foi mais importante que o primeiro’91. SEMPRE. Em outras palavras, o que importa não é qual classe domina, mas a maneira como domina. Neste ponto torna-se manifesta a opção de Bobbio, ao nível mais profundo, pelo pólo liberal de seu pensamento. Pela mesma razão, das duas críticas da democracia representativa presentes em seus escritos, a conservadora, e não a socialista, pesa mais no final. Em seus escritos mais recentes, essa crítica chega a tender – numa imagem bem conhecida – a transformar-se numa apologia perversa. Assim, transformando a necessidade em virtude, Bobbio pode escrever: ‘A apatia política de modo algum é sintoma de crise num sistema democrático; geralmente é sinal de boa saúde’92. Ela significa uma ‘indiferença benévola’ em relação à política enquanto tal, fundada no bom senso.” (destaques nossos)[xvi].

Portanto, sem “provocar confusões” ou sermos “reducionistas”, afirmamos: não existe, a não ser como operação intelectual, o liberalismo político e o liberalismo econômico, e suas respectivas antíteses. Como se isso ainda não bastasse, deixando a esfera da circulação (monetarismos, financeirismos, etc.), e adentrando a esfera produtiva, afirmamos também que Bobbio e Friedman pertencem a um mesmo campo: o liberalismo.

CAIXA DE PANDORA OU CANTO DO CISNE?

Por tudo isso, estamos convictos de que os “Subsídios para uma nova ação estratégica do PT”, não contribuem para reconduzir o nosso partido para um caminho de resistência contra o capital, tampouco para a sua superação.

Nem de longe pode ser ela considerada uma “estratégia política socialista”, ainda que no final do artigo se assista ao desespero de reiterar a palavra “socialismo”, na mesma aflição com que se tenta ressignificar valores como “democracia” e “igualdade” somente pelo uso da abstração, sem para isso interferir nas formas significantes da atividade econômica[xvii].

Neste momento, é bem possível que Tarso Genro e Vinicius Wu, se querem ainda declarar-se socialistas, traem-se com suas próprias palavras, como o incauto que se engana ao contemplar a famosa tela de René Magritte, “A traição das imagens”, e insistir que aquilo que vê é, realmente, um cachimbo, e não a representação de um cachimbo.

Esquecem-se – ou, infelizmente, têm plena consciência disso – que com suas proposições recuperam, nada mais e nada menos, o liberalismo, tal como ele é, com ou sem adjetivações que lhe atribuam qualidades na pretensão ilusória de modificá-lo.

Preocupa-nos, com franqueza, que parte considerável de nosso partido tenha se esquecido, e outra parte deliberadamente abandonado, o que significa uma sociedade dividida entre capitalistas e trabalhadores; que a única igualdade que existe entre as pessoas enquanto a sociedade for dividida desta forma é serem iguais proprietários de mercadorias (respectivamente, dinheiro-capital e força de trabalho), que podem ser trocadas. Neste quesito em particular, poderiam afirmar que é coisa de um “marxismo ortodoxo, economicista e anacrônico”. De fato, é mesmo de suscitar questionamentos. Justamente por isso, manda novamente o rigor nos estendermos mais um pouco.

Quais foram, então, as características centrais do capitalismo do século XIX desvendadas por Karl Marx (1818-1883), as quais ele apontou serem cerne de todas as contradições e disparidades desse sistema, e sobre cujas análise e crítica, inclusive, o Partido dos Trabalhadores se ergueu? A saber: a propriedade privada dos meios sociais de produção e o trabalho assalariado.

Partindo-se da constatação de que ambas as características estão presentes ainda hoje, o que nos deveria levar a pensar, ou imaginar, a possibilidade de um acordo entre capitalistas e trabalhadores, que, mantendo-se IDEALMENTE estável, beneficie ambas as partes permanentemente?

Situemos, portanto, as ideias em seus lugares e épocas e acrescentemos, numa mensagem (esta sim, sincera) a todos/as petistas que nada tem ou contém de novo aquilo que Tarso Genro e Vinicius Wu sustentam. Muito pelo contrário: Tarso Genro e Vinicius Wu traçam subsídios de uma estratégia para o Partido dos Trabalhadores não de disputa com a classe burguesa-capitalista; mas de disputa do próprio projeto dessa classe.

Fica a pergunta: “Como é possível pensar um presente, e um presente bem determinado, com um pensamento elaborado por problemas de um passado bastante remoto e superado?” [xviii]

Assim, a “nova ação estratégica”, proposta ao Partido dos Trabalhadores não responde aos nossos desafios presentes e futuros. A não ser, é claro, que se entenda nesse desafio a necessidade da mais absoluta corrosão de nosso programa. Parece ser o caso de Genro e Wu. Mas não é e nem deve ser o caso de um partido socialista como o PT.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

[i] “O debate terminológico não nos interessa por si mesmo. É que o uso das palavras traduz relações de poder e relações de dominação. (…) O março de 1964 (completado pelo apogeu a que chegou o golpe em 1968-69) ilustra muito bem a natureza da batalha que as classes trabalhadoras precisam travar no Brasil. Elas precisam libertar-se da tutela terminológica da burguesia (isto é, de relações de dominação que se definem, na área da cultura, como se fossem parte do ar que respiramos ou simples ‘palavras-chave’). Ora, em uma sociedade de classes da periferia do mundo capitalista e de nossa época, não existem ’simples palavras’ (…) Se a massa dos trabalhadores quiser desempenhar tarefas práticas específicas e criadoras, ela tem de se apossar primeiro de certas palavras-chave (que não podem ser compartilhadas com outras classes, que não estão empenhadas ou que não podem realizar aquelas tarefas sem se destruírem ou sem se prejudicarem irremediavelmente)”. (FERNANDES, Florestan. O que é revolução. São Paulo, SP: Brasiliense, 1984, pp. 8-10).

[ii] ANDRADE, Joana El-Jaick. Marxismo e revisionismo no final do século XIX. Disponível em:

http://www.anpuh.uepg.br/xxiii-simposio/anais/textos/Joana%20El-Jaick%20Andrade.pdf

[iii] Id.

[iv] Não é à toa que uma das principais obras de E. Bernstein chama-se Socialismo Evolucionário. Qualquer semelhança de concepção não é mera coincidência.

[v] Enfatizamos que não fazemos referência a “estatismo” em um sentido pejorativo. É apenas no sentido de “dar centralidade ao Estado”.

[vi]Cf. este trecho do artigo: “A constituição deste novo bloco histórico dependerá de um patamar superior de diálogo e de reconhecimento do conflito democrático na sociedade, capaz de ensejar uma “concertação política” inovadora. Seu centro doutrinário funda-se num programa acordado para a construção da nação, que considere relevantes o papel do Estado, a participação direta da sociedade na construção de políticas públicas e o potencial positivo do mercado socialmente regulado”.

[vii] RUY, José Carlos. Forçando a barra. In: “RETRATO DO BRASIL”, n°16, novembro de 2008, pp. 47-50.

[viii] “Produção social” já é uma redundância. Não há produção que não seja operada em sociedade. O uso da expressão é necessário porque é comum, na economia liberal, separar a produção da sociedade, uma independente da outra. A esse respeito, Marx ironiza: “A produção do indivíduo isolado fora da sociedade – uma raridade, que pode muito bem acontecer a um homem civilizado transportado por acaso para um lugar selvagem, mas levando consigo já, dinamicamente, as forças da sociedade – é uma coisa tão absurda como o desenvolvimento da linguagem sem indivíduos que vivam juntos e falem entre si” (MARX, Karl. Para a crítica da economia política. São Paulo, SP: Abril Cultural, 1996, p. 26).

[ix] Novamente extraído do artigo assinado por José Carlos Ruy, na publicação de Novembro de 2008 de RETRATO DO BRASIL

[x] Aliás, de suposta “pós-modernidade”, época em que o indivíduo, e seu conceito, foram pastichado, exacerbado até seu esvaziamento absoluto, num processo doentio de semiofilia, de “amor ao signo” social, isso se patenteia com ainda mais impacto, trazendo para nós a tarefa de criar novos conceitos que signifiquem a fundação de um novo ser social sobre outras formas de organizar a atividade produtora e reprodutora de vida. Não cabe a um partido socialista como o PT, tampouco a uma estratégia socialista para o PT, “recompor a ideia de nação na pós-modernidade”, já que se trata de superar a própria ideia de “pós-modernidade”. Isso implica, em primeiro lugar, superar o culto ao projeto “pós-neoliberal”, quando o que realmente interessa a uma estratégia socialista constitui a elaboração de um projeto “pós-capital”, passando-se enfim à ruptura da modernidade.

[xi] MARX, Karl. Para a crítica da economia política. MALAGODI, Edgard (trad.); GIANNOTI, José Arthur (colab.). São Paulo, SP: Abril Cultural, 1996, pp. 25-19.

[xii] Trechos extraídos do início e da introdução do artigo de José Carlos Ruy sobre a emergência das “novas classes médias”, na edição de RETRATO DO BRASIL já citada.

[xiii] MARX, Karl. Para a crítica da economia política. MALAGODI, Edgard (trad.); GIANNOTI, José Arthur (colab.). São Paulo, SP: Abril Cultural, 1996, pp. 39-40.

[xiv] WU, Vinicius; KOPITTKE, Alberto; CAROLINE, Louise. Um marxismo anacrônico. (Publicado no site do PT em 11/02/2007, em resposta a um artigo do companheiro Valter Pomar da mesma época). O texto poderia ser acessado diretamente através de um link do portal do PT, mas agora nos parece estar disponível somente em: http://www.brasilreporter.blog-se.com.br/blog/conteudo/home.asp?idBlog=10770&arquivo=semanal&inicio=11/2/2007&fim=17/2/2007

[xv] Entre aspas porque falar de “mercado que se regula” é um fetiche. Do contrário, estaríamos em vão lutando contra uma divindade.

[xvi] ANDERSON, Perry. As Afinidades de Norberto Bobbio. In: “Novos Estudos CEBRAP”, n. 24, 1989b, pp. 14-41.

[xvii] Notem o enfoque, no texto de Genro e Wu, à “crise do paradigma neoliberal”, “crise do sistema financeiro global”, sempre com o cuidado de não fazer menção a expressões como “crise do capitalismo” ou coisa que o valha.

[xviii] GRAMSCI, Antonio. Concepção Dialética da História. COUTINHO, Carlos Nelson (trad.). 4ªed. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 1981, p. 13.

Quinta-feira

Sorria...




Globo e Tucano tudo a ver...

Para o jornalismo de esgoto da Rede Globo de Televisão, FHC não enviou uma emenda ao congesso para mudar a Constituição Federal para autorizar sua reeleição.

Foi escandaloso, na edição do jornal nacional de ontem 21/10 a emissora tendenciosa e partidária, citou todos os presidentes da America latina que tinham mudado a constituição para se reeleger, todavia, não mencionou FHC , simplesmente por não querer misturá-lo a: o venezuelano Hugo Chávez, o equatoriano, Rafael Correa, o boliviano, Evo Morales e o colombiano, Álvaro Uribe que já espera o terceiro mandato seguido.

A Rede Globo esqueceu-se do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para como de praxe protegê-lo.

Fátima Bernardes menciona(como se fosse uma defesa dos golpistas) que em Honduras, Manuel Zelaya foi deposto exatamente por tentar modificar a constituição como fez o tartufo Fernando Henrique.

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